segunda-feira, 8 de março de 2010

TRABALHO DE JULLYETTH BEZERRA

ANTECEDENTES Vários problemas atingiam as principais nações européias no início do século XX. O século anterior havia deixado feridas difíceis de curar. Alguns países estavam extremamente descontentes com a partilha da Ásia e da África, ocorrida no final do século XIX. Alemanha e Itália, por exemplo, haviam ficado de fora no processo neocolonial. Enquanto isso, França e Inglaterra podiam explorar diversas colônias, ricas em matérias-primas e com um grande mercado consumidor. A insatisfação da Itália e da Alemanha, neste contexto, pode ser considerada uma das causas da Grande Guerra. Vale lembrar também que no início do século XX havia uma forte concorrência comercial entre os países europeus, principalmente na disputa pelos mercados consumidores. Esta concorrência gerou vários conflitos de interesses entre as nações. Ao mesmo tempo, os países estavam empenhados numa rápida corrida armamentista, já como uma maneira de se protegerem, ou atacarem, no futuro próximo. Esta corrida bélica gerava um clima de apreensão e medo entre os países, onde um tentava se armar mais do que o outro. Existia também, entre duas nações poderosas da época, uma rivalidade muito grande. A França havia perdido, no final do século XIX, a região da Alsácia-Lorena para a Alemanha, durante a Guerra Franco Prussiana. O revanchismo francês estava no ar, e os franceses esperando uma oportunidade para retomar a rica região perdida. O pan-germanismo e o pan-eslavismo também influenciou e aumentou o estado de alerta na Europa. Havia uma forte vontade nacionalista dos germânicos em unir, em apenas uma nação, todos os países de origem germânica. O mesmo acontecia com os países eslavos.

O início da Grande Guerra O estopim deste conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário a influência da Áustria-Hungria na região dos Balcãs. O império austro-húngaro não aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28 de julho de 1914, declarou guerra à Servia.

Política de Alianças Os países europeus começaram a fazer alianças políticas e militares desde o final do século XIX. Durante o conflito mundial estas alianças permaneceram. De um lado havia a Tríplice Aliança formada em 1882 por Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha ( a Itália passou para a outra aliança em 1915). Do outro lado a Tríplice Entente, formada em 1907, com a participação de França, Rússia e Reino Unido. O Brasil também participou, enviando para os campos de batalha enfermeiros e medicamentos para ajudar os países da Tríplice Entente.

Desenvolvimento. As batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras. Os soldados ficavam, muitas vezes, centenas de dias entrincheirados, lutando pela conquista de pequenos pedaços de território. A fome e as doenças também eram os inimigos destes guerreiros. Nos combates também houve a utilização de novas tecnologias bélicas como, por exemplo, tanques de guerra e aviões. Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres trabalhavam nas indústrias bélicas como empregadas.

Fim do conflito

Em 1917 ocorreu um fato histórico de extrema importância : a entrada dos Estados Unidos no conflito. Os EUA entraram ao lado da Tríplice Entente, pois havia acordos comerciais a defender, principalmente com Inglaterra e França. Este fato marcou a vitória da Entente, forçando os países da Aliança a assinarem a rendição. Os derrotados tiveram ainda que assinar o Tratado de Versalhes que impunha a estes países fortes restrições e punições. A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada, perdeu a região do corredor polonês, teve que devolver à França a região da Alsácia Lorena, além de ter que pagar os prejuízos da guerra dos países vencedores. O Tratado de Versalhes teve repercussões na Alemanha, influenciando o início da Segunda Guerra Mundial. A guerra gerou aproximadamente 10 milhões de mortos, o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu indústrias, além de gerar grandes prejuízos econômicos.

PRINCIPAIS CAUSAS (MOTIVOS) QUE PROVOCARAM A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL:

- A partilha das terras da África e Ásia, na segunda metade do século XIX, gerou muitos desentendimentos entre as nações européias. Enquanto Inglaterra e França ficaram com grandes territórios com muitos recursos para explorar, Alemanha e Itália tiveram que se contentar com poucos territórios de baixo valor. Este descontentamento ítalo-germânico permaneceu até o começo do século XX e foi um dos motivos da guerra, pois estas duas nações queriam mais territórios para explorar e aumentar seus recursos. - No final do século do século XIX e começo do XX, as nações européias passaram a investir fortemente na fabricação de armamentos. O aumento das tensões gerava insegurança, fazendo assim que os investimentos militares aumentassem diante de uma possibilidade de conflito armado na região; - A concorrência econômica entre os países europeus acirrou a disputa por mercados consumidores e matérias-primas. Muitas vezes, ações economicamente desleais eram tomadas por determinados países ou empresas (com apoio do governo); - A questão dos nacionalismos também esteve presente na Europa pré-guerra. Além das rivalidades (exemplo: Alemanha e Inglaterra), havia o pan-germanismo e o pan-eslavismo. No primeiro caso era o ideal alemão de formar um grande império, unindo os países de origem germânica. Já o pan-eslavismo era um sentimento forte existente na Rússia e que envolvia também outros países de origem eslava.

PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL:

- Durante a Primeira Guerra Mundial morreram, aproximadamente, 9 milhões de pessoas (entre civis e militares). O número de feridos, entre civis e militares, ficou em cerca de 30 milhões. - Desenvolvimento de vários armamentos de guerra como, por exemplo, tanques de guerra e aviões. - Desintegração dos impérios Otomano e Austro-Húngaro. - Fortalecimento dos Estados Unidos no cenário político e militar mundial. - Criação da Liga das Nações, com o objetivo de garantir a paz mundial. - Assinatura do Tratado de Versalhes que impôs uma série de penalidades a derrotada Alemanha. - Geração de crise econômica na Europa, em função da devastação causada pela Grande Guerra e também dos elevadíssimos gastos militares. - Fortalecimento e desenvolvimento da industrialização brasileira. - Surgimento do sentimento de revanchismo na Alemanha, em função das duras penalidades impostas pelo Tratado de Versalhes.


CONSEQÜÊNCIAS

As fortes imposições do Tratado de Versalhes à Alemanha, fez nascer neste país um sentimento de revanchismo e revolta entre a população. A indenização absurda enterrou de vez a economia alemã, já abalada pela guerra. As décadas de 1920 e 1930 foram marcadas por forte crise moral e econômica na Alemanha (
inflação, desemprego, desvalorização do marco). Terreno fértil para o surgimento e crescimento do nazismo que levaria a Alemanha para um outro conflito armado, a Segunda Guerra Mundial.

JULLYETTH BEZERRA

ACESSE: blogdajullyetth.blogspot.com

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

UERN TEM SEGUNDA MELHOR AVALIAÇÃO NO NORDESTE



A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) foi a segunda melhor colocada, entre as universidade estaduais do Nordeste, no Índice Geral de Cursos (IGC), indicador de qualidade de instituições de educação superior.
O Rio Grande do Norte, através da UERN, representa o segundo estado melhor avaliado do Nordeste, ficando atrás apenas da Bahia. A Uern está à frente de três universidades do Ceará (UVA, UECE e URCA), uma da Paraíba (UEPB), uma do Maranhão (UEMA), uma do Piauí (UEPI), uma do Pernambuco (UPE) e duas de Alagoas (UNEAL e UNCISAL).
A Universidade Estadual do Rio Grande do Norte também está à frente de universidades federais de outras regiões, como é o caso da Universidade Federal do Pará (UFPA), Fundação Universidade Federal do Tocantins (UFT), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e Universidade Federal do Vale do São Francisco/PE (UNIVASF).
De acordo com o MEC, o IGC é um indicador de qualidade construído com base numa média ponderada das notas dos cursos de graduação e pós-graduação.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

OESTENEWS.BLOGSPOT.COM


Esse é o novo cabeçalho do blog OESTE NEWS, criado em 27 de fevereiro de 2009, contendo 95 link's - OESTE NEWS - A MAIOR FONTE DE INFORMAÇÕES ANTIGAS E CONTEMPORÂNEAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE. Acesse e confira, se aprovar ou não, faça um comentário.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

MOVIMENTO ESTUDANTIL EM CAICÓ

MOVIMENTO ESTUDANTIL EM CAICÓ: POLÍTICA PELA LIBERDADE

FONTE – SITE HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE

(Por Maria Auxiliadora Oliveira da Silva e Neily Lopes Dutra – concluintes de 2000)

É comum se pensar que ditadura militar de 1964-1985 foi somente morte e tortura. Como se observou durante o regime militar, estabeleceram-se bloqueios ao desenvolvimento político, social e cultural da nação como um todo. No que se refere à educação, os militares abusaram de medidas repressivas em relação a mudanças no ensino, com o intuito de anti-conscientizar, ao ponto de deixar os estudantes num estado de alienação, sem interesse na política e sem espírito de organização grupal, para reivindicarem por melhorias de interesse da classe estudantil. Sobre a educação em Caicó, o professor Brito relata:

“(...) Caicó especialmente sempre se destacou pelo nível cultural das pessoas, e hoje o nível está quase zero, e isso foi resultado da ditadura. Veja, a própria ditadura tirar filosofia, sociologia, por que? Para que o povo não fosse mais organizado. Hoje em Caicó estuda somente o que estudava anteriormente, o nível cultural caiu. Hoje vota-se pior do que votava-se antes e isso tudo é resultado da ditadura”.i

Em Caicó na década de 60 e meados da década de 70, tinha-se um movimento estudantil organizado, participativo na vida política, social e cultural da cidade e havia uma discussão muito grande contra a ditadura militar. A juventude naquela época, principalmente a partir de 1968, era muito empenhada em lutar por melhorias na educação, na política e na sociedade. Havia entre os jovens um certo trabalho de conscientização, de esclarecimento, de noticiar fatos e acontecimentos que não vinham ao público através dos meios de comunicação oficiais, sendo comentados mais através de cachichos.

No dia 1º de abril de 1964, o Presidente da UEC (União Estudantil Caicoense), Paulo Celestino da Costa lançou nota de repúdio ao golpe na Emissora Rural de Caicó e, esta nota era forte porque chamava os militares de “gorilas”. No mesmo instante foram chamados ao Exército Paulo Celestino e Pe. Itan Pereira – diretor da Emissora Rural e do Colégio Diocesano Seridoense – para explicarem o porquê de terem chamado os militares de gorilas. Eles foram advertidos e isto foi uma mostra, ou seja, o primeiro contato com o novo governo que se instalava no país.

A Emissora Rural de Caicó dava espaço aos estudantes para divulgarem seu trabalho, inclusive a UEC tinha um programa próprio, levado ao ar aos domingos. Os líderes estudantis que eram ao mesmo tempo radialistas, trabalhavam de graça, por se empolgarem no trabalho de divulgação, e não raro eles furavam as notícias. Os militares indignados pediam à direção para colocá-los para fora da rádio, mas o bispo de Caicó, que apoiava este trabalho de esclarecimento desempenhado por esses estudantes, segurava-os na rádio.

Quando começou a repressão contra os estudantes no Rio Grande do Norte, os discentes de Caicó que tinham um movimento estudantil muito bem organizado, não sofreram tantas perseguições, até porque o bispo Dom Manuel Tavares tornou-se uma espécie de protetor desses estudantes.

A cidade de Caicó destacava-se no Rio Grande do Norte devido ao seu setor educacional, pela reconhecida qualidade de ensino. Em cada escola havia um grêmio que realizava atividades de formação intelectual, semana cultural, semana estudantil etc. Os grêmios ficavam responsáveis por lançarem os candidatos à presidência da UEC, que sempre fora disputadíssima. A UEC neste período teve presidentes que destacaram-se pelo trabalho desenvolvido, os quais passavam a atuar de radialistas na Rádio Rural como uma forma até de promoção e de alargamento dos horizontes. Entre os presidentes da UEC, um que teve destaque foi Salomão Gurgel Pinheiro, que realizou um reconhecido trabalho no movimento político estudantil em Caicó em plena ditadura militar.

É digno de registrar que, em Caicó, fora realizado o primeiro protesto, ou seja, a primeira manifestação de rua (FOTO 10) contra a ditadura militar no Rio Grande do Norte. Os estudantes de Caicó, liderados por Salomão Gurgel Pinheiro e Ruy Pereiraii, organizaram uma grande passeata para denunciar os abusos da ditadura militar e, em protesto à morte do estudante Edson Luís de Lima Souto, morto em conflito com a PM, no Restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, em março de 1968. Segundo Salomão, saíram concentrações de estudantes do Colégio Diocesano Seridoense, do Instituto de Educação, atual CEJA (Centro Educacional José Augusto), do Educandário Santa Teresinha, da Escola Senador Guerra e da Casa do Estudante, num total de quase 3.500 estudantes reunidos, gritando palavras de ordem, pedindo liberdade e protestando contra o assassinato de Edson Luís. Esta passeata parou na praça da Liberdade, atual praça Dinarte Mariz, onde fora realizado um comício, vindo o protesto terminar no centro da cidade. Nos cartazes da foto abaixo, lia-se: “Estudantes caicoenses na luta contra a opressão”. “(...) Liberdade”. “(...) a bala (...)”.

Emmanoel Bezerra dos Santos, dirigente comunista


Em 17 de junho comemora-se o aniversário do revolucionário Emmanoel Bezerra.

Emmanoel Bezerra nasceu em 17 de junho de 1943, em Praia de Caiçara, Município de São Bento do Norte/RN.

Destacado líder estudantil, estudou no Colégio Atheneu, na sua cidade natal. Foi presidente da Casa do Estudante quando cursou a antiga Faculdade de Sociologia, na Fundação José Augusto. Destacou-se nos estudos do marxismo-leninismo e economia política, moldando sua militância política sendo ardente defensor da ciência do proletariado nas acaloradas discussões com os colegas e companheiros. Foi a principal liderança do comitê universitário do Partido Comunista Revolucionário, organizado naquela ocasião, no Rio Grande do Norte. Viveu de 68 a 73 nos Estados de Pernambuco e Alagoas. Organizou a bancada dos estudantes potiguares para o histórico congresso da Une em Ibiúna – SP, onde foi preso com os demais companheiros, sendo enquadrado pelo famigerado Decreto-lei 477 do general Costa e Silva. A repressão do regime militar fascista fez com que fosse expulso da faculdade e iniciasse sua militância na clandestinidade. Dedicando-se ao trabalho de organização e relação com as organizações revolucionárias no estrangeiro viajou por diversas vezes ao Chile e Argentina.

Em 1973, Emmanoel Bezerra, juntamente com Manuel Lisboa foram presos e barbaramente torturados por dias seguidos pelos agentes do regime militar fascista. Sua conduta exemplar diante de seus algozes, sua postura firme e fidelidade aos princípios do marxismo-leninismo fizeram com que sua morte significasse uma dura derrota para seus inimigos.

Saudemos nessa data esse grande revolucionário, que nas duras condições do trabalho clandestino e das perseguições, juntamente com Manuel Lisboa de Moura, deram gigantescas contribuições para a forja do verdadeiro partido do proletariado. Sua trajetória de luta, sua resistência, sua contribuição teórica e prática, representam para os revolucionários brasileiros um grande exemplo de dedicação à causa do proletariado, e aponta para todos o caminho da luta revolucionária.

Sua ardente fidelidade à causa revolucionária e firme convicção no futuro luminoso da humanidade estão estampadas nesse poema, escrito quando da sua primeira prisão na Base Naval de Natal, em 1969.

Viva Emmanoel Bezerra!

FONTE - SITE DO MOVIMENTO ESTUDANTIL POPULAR REVOLUCIONÁRIO

O QUE É MOVIMENTO ESTUDANTIL

MOVIMENTO ESTUDANTIL - ESTUDANTES FAZEM A HISTÓRIA
O movimento estudantil, embora não seja considerado um movimento popular, dada a origem dos sujeitos envolvidos, que, nos primórdios desse movimento, pertenciam, em sua maioria, a chamada classe pequeno burguesa, é um movimento de caráter social e de massa. É a expressão política das tensões que permeiam o sistema dependente como um todo e não apenas a expressão ideológica de uma classe ou visão de mundo. Em 1967, no Brasil, sob a conjuntura da ditadura militar, esse movimento inicia um processo de reorganização, como a única força não institucionalizada de oposição política. A história mostra como esse movimento constitui força auxiliar do processo de transformação social ao polarizar as tensões que se desencadearam no núcleo do sistema dependente. O movimento estudantil é o produto social e a expressão política das tensões latentes e difusas na sociedade. Sua ação histórica e sociológica tem sido a de absorver e radicalizar tais tensões. Sua grande capacidade de organização e arregimentação foi capaz de colocar cem mil pessoas na rua, quando da passeata dos cem mil, em 1968. Ademais, a histórica resistência da União Nacional dos Estudantes (UNE), como entidade representativa dos estudantes, é exemplar. Concebida, em 1910, no I Congresso Nacional de Estudantes, em São Paulo, só em 1937 é efetivada sua fundação, coincidindo com a instauração da ditadura do Estado Novo. Esse surgimento sendo —fruto de uma tomada de consciência quanto a necessidade de organizar, em caráter permanente e nacional, a atuação política dos jovens brasileiros.“ (JOVEM..., 1986, p.69). Desde então, uma história de participação nos principais episódios políticos do Brasil tem decorrido, em campanhas aqui exemplificadas: contra o Estado Novo (1942); contra o eixo e a favor dos aliados (1943); —o petróleo é nosso“ (1947); contra a internacionalização da Amazônia (1956/1958); pela criação de indústrias de base e reforma agrária (1958); de oposição ao regime militar (1964-1989); a favor da anistia (1979); —diretas já“ (1984); contra a dívida externa (1986); por uma universidade pública e gratuita (1987); —fora Collor“ (1993), entre muitas outras, demonstram como os estudantes foram se aproximando, cada vez mais, das lutas populares. Tudo isso, apesar da repressão política, intensifica-se com o golpe militar de 1964. A Lei nº 4.464, de outubro de 1964, chamada Lei Suplicy de Lacerda, elimina a UNE como representação nacional, limitando a representação estudantil ao âmbito de cada universidade. O Decreto- Lei nº 252/67, em seu Artigo 2 vetou a ação dos órgãos estudantis em qualquer manifestação político-partidária, social ou religiosa, bem como apoio a movimentos de grevistas e estudantes. Esse clima de controle, ameaça e insegurança individual atingiu todas as atividades relacionadas ao fazer educativo, principalmente com o conhecido Ato Institucional No5 (AI - 5) que, em dezembro de 1968, retira do cidadão brasileiro todas as garantias individuais, públicas ou privadas, institui plenos poderes ao Presidente da República para atuar como Executivo e Legislativo. Ou ainda, com o Decreto- Lei No 477, de fevereiro de 1969, que proibia todo o corpo docente, discente e administrativo das escolas a qualquer manifestação de caráter político ou de contestação no interior das universidades. Entretanto, reconstruída em 1979, já em setembro de 1980, mobiliza cerca de um milhão de estudantes, numa greve geral de três dias, exigindo a anistia (ampla, geral e irrestrita) dos exilados e presos políticos, e em 1981, 400 mil estudantes realizam greve nacional diante da recusa do então Ministério da Educação e Cultura (MEC), em atender as reivindicações propostas pelos estudantes. A consciência dos direitos individuais vem acompanhada da certeza de que esses somente se conquistam numa perspectiva social e solidária. Assim é que surgem as associações de bairro, os grupos ecológicos, os sindicatos de trabalhadores, os grupos de defesa da mulher e também as entidades estudantis - Diretórios Centrais, União Estadual, Centros Acadêmicos, Executivas Nacionais - como órgãos representativos desse setor social. E a UNE deixa de ter caráter unificador dos anseios da população, para ser um órgão de atuação mais específica das escolas.
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História do movimento estudantil de Biblioteconomia no Brasil
O resgate histórico da biblioteconomia impõe-se como prioridade no processo de construção de sua identidade de classe, e nesse processo, o movimento profissional e o movimento estudantil como expressão dos anseios bibliotecários para o desenvolvimento da área, merecem atenção especial, para que esta não venha a ser uma profissão sem memória. Estes movimentos, representados através das associações de classe profissionais (Associações Profissionais de Bibliotecários - APBs; Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários œ FEBAB, entre outras) e entidades estudantis (diretórios, centros acadêmicos e Executiva Nacional) promovem, em seus seminários e congressos, o debate sobre a profissão e a informação na sociedade, produzindo uma vasta documentação que, por refletir uma informação de classe, pode ser convertida em projetos de memória do movimento estudantil. Os ENEBDs, entretanto, único fórum de debates dos estudantes até 1994, quando surgem os Encontros Regionais de Estudantes de Biblioteconomia e Documentação (EREBDs), devido ao seu caráter transitório e improvisado, não têm registrado, sistematicamente, a produção nem os resultados desses eventos. Não obstante a realização de 21 encontros nacionais, datando o primeiro de 1967, são poucas as informações disponíveis. Vale salientar que esses encontros são parte de uma rede de comunicação, em que a troca de informação ocorre tanto por canais formais (quando editado em anais), quanto por canais informais (comunicações de pesquisas, mesas redondas, seminários, cursos etc.) . A participação dos estudantes nesses eventos proporciona, assim, tanto um pensar coletivo sobre a condição desses em relação à profissão quanto uma aquisição de conhecimento e de informação, que de outra forma, não seria possível, haja vista que poucos produzem documentação formal, limitando-se às exposições dos oradores convidados. Portanto, cientes de que a documentação produzida em reuniões, encontros, seminários e outros eventos, uma vez reunida e organizada, poderá não só revelar a participação discente na evolução da Biblioteconomia brasileira, como também subsidiar os atuais atores sociais do movimento estudantil nas tomadas de decisões e encaminhamentos, é que propomos a criação do CEDOC-BIBLIO, com sede no CAB/UFPB, para a guarda permanente dessa documentação. Isto porque tal resgate só é possível com a reunião em local físico determinado, dos conjuntos documentais existentes - relatórios, trabalhos apresentados, atas de reuniões, cartazes, folders e projetos. Num primeiro momento, ultrapassadas as dificuldades geográficas e de comunicação, reuniu-se os documentos que estavam com a Secretaria Nacional de Estudantes, aos quais se somaram doações de centros acadêmicos e de acervos pessoais, objetivos do Memo-Biblio. Essa documentação compõe o acervo - já instituído pelo movimento estudantil - do CEDOC-BIBLIO e se encontra organizada em arquivo de pastas horizontais e classificada por assunto com as classes principais: (1) Centros Acadêmicos; (2) ENEBDs; (3) Executiva Nacional œ Reuniões; (4) EREBDs; (5) Hemeroteca; (6) Legislação em Geral; (7) Miscelânea; (8) Multimeios; (9) Produção Acadêmica; (10) Representação Profissional; (11) Secretaria Nacional dos Estudantes de Biblioteconomia e Documentação; (12) UNE.
FONTE - INTERNET